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  • José Luiz Giorgi Pagliari

    Engenheiro Químico pela Escola Politécnica da USP. Pós-graduado em Administração Contábil e Financeira pela FGV. Consultor sobre vinhos desde 1987. Membro da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho em São Paulo (SBAV-SP), desde 1994. Diretor de 1996 a 2004. Membro da Associação Brasileira de Sommeliers em São Paulo (ABS-SP) desde 2003. Editor do portal www.winexperts.com.br 2002-2004. Atualmente colaborador. Membro do corpo de degustação da revista Vinho Magazine; degustador convidado da Prazeres da Mesa e Gula. Colaborador das revistas Vinho Magazine e Prazeres da Mesa. Ministra aulas sobre vinhos da França, Itália, Portugal e Brasil e também sobre variedades de uvas.


     

    O mercado dos vinhos brasileiros
    28/02/2007 00:00
     

    por Andre Antivilo

    Alimentares: Sua experiência mostrou-lhe que o Brasil produz vinhos com potencial para nomear rótulos como bons vinhos. O que falta para superar essa qualidade?

    José Luiz Giorgi Pagliari: Esse caminho da qualidade é longo e não acontece de um dia para outro. Depende não só da aquisição de “know-how” e de equipamentos – isso nós já temos em certo nível – como também de uma conjuntura apropriada, relacionada à economia e cultura, envolvendo o público consumidor. É preciso lembrar que o vinho fino no Brasil ainda é um produto para poucos.

    Alimentares: Todos sabem que o preço final de alguns vinhos brasileiros é “salgado” comparado ao benefício proposto. De quem pode partir a solução?

    Pagliari: Culpa-se normalmente os impostos pelo preço “salgado” dos vinhos brasileiros. Realmente é um fator que tem peso importante na composição de preços da bebida, mas soluções criativas poderiam ajudar a aliviar a carga fiscal, como por exemplo uma parceria entre empresa e governo, onde um investimento técnico, ecológico ou social da primeira poderia ser premiado com uma redução tributária.

    Realmente, num mercado globalizado, é comum a idéia de substituição de produto, num primeiro estágio focando no de menor preço, e numa situação mais estável, o de melhor “custo/benefício”.

    Deve-se procurar qual o “benefício” de nossos vinhos, qual a real vocação da indústria vinícola nacional: a variedade de uva, o tipo de vinho, que vão nos diferenciar dos outros países produtores. Nesse último aspecto parece que nossos espumantes vem sendo reconhecidos com uma qualidade média que nos coloca no mapa dos rótulos atrativos, mas ainda há muito trabalho a ser feito para uma valorização mais consistente.

    Alimentares: A expansão territorial vinícola é reflexo de propostas interessantes envolvendo estudiosos e empresários em busca de novas regiões. Isso significa a limitação, como por exemplo, do Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves, RS, na produção de mais vinhos com qualidade superior ou é apenas uma forma de novas empresas surgirem no mercado do vinho?

    Pagliari: O Vale dos Vinhedos é uma zona conhecida por seus vinhos de qualidade. O valor da terra fez que os produtores de lá procurassem outras regiões para alimentarem suas vinícolas. A Campanha Gaúcha foi o primeiro resultado disso, com rótulos bastante promissores. A procura de locais mais altos e frescos ao norte do paralelo 29 tem já nos dado produtos de qualidade em Santa Catarina e Paraná. Finalmente, a pesquisa em regiões menos tradicionais de vinho, como o Nordeste do país, tem tornado possível a aceitação internacional destes, seja pelo exotismo, seja pelo seu preço, reduzido pela estrutura de custos que a região e o manejo possibilitam.

    Alimentares: O mercado editorial gastronômico, incluindo os específicos de vinhos, tem influenciado de que forma a compra de vinhos finos brasileiros?

    Pagliari: Existe uma crescente demanda por informação sobre vinhos, e esta é que está puxando o mercado editorial, não o contrário. O consumidor está ávido por informação, e mais exigente. Ele quer mais fundamento do que aparece nas revistas especializadas.

    Alimentares: Como degustador e crítico estudioso de mercado, como o senhor entende a XIV Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2006, que ocorreu em Setembro passado? O evento cresce a cada ano e mostra bons resultados. Isso reflete o empenho técnico profissional ou passa a ser uma forma tímida de divulgação de nossos vinhos?

    Pagliari: Eu fiquei entusiasmado com a Avaliação Nacional de Vinhos desde a primeira vez que participei, em 2000. A organização é caprichada, sente-se emoção no ar. É uma oportunidade de rever os amigos do vinho, também.

    Esse evento precisa ser entendido como uma espécie de termômetro do vinho nacional, mas com uma série de restrições que uma avaliação prematura de vinhos pode apresentar.

    Ano passado houve uma oportunidade para os que não conseguirem viajar até o sul: a realização do evento paralelo em São Paulo, em vídeo-conferência com Bento Gonçalves.


     
     

     

     
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