por Andre Antivilo
Alimentares: Baseado nas suas experiências (jornalismo, fotografia, editoria, cozinha etc), tornou-se um profissional com diferentes visões e disciplinas. Esse contato com outras áreas é natural de profissionais da gastronomia?
André Boccato: Deveria, mas infelizmente os tempos modernos impõem especializações, de tal forma que não existem condições de uma formação mais abrangente, multidisciplinar. No meu caso, minha formação profissional foi ampliada pela ligação ao mundo editorial que é minha área principal.
Alimentares: Depois da participação no Festival de Cozinha Brasileira durante a “Operação Brésil 2005” e do “Brazilian Taste Festival in Berlin”, existe algum projeto no Brasil para divulgar essas experiências?
Boccato: No final de 2006, tivemos também um evento em Paris em comemoração ao centenário do vôo inaugural do 14 Bis de Santos Dumont, e recentemente um evento durante a Gulfood em Dubai, Emirados Árabes, pelo Grupo Bertin, que alias é patrocinador de todos estes eventos. Provavelmente estaremos em setembro no Salão Du Bresil em Paris. É uma pena que essas iniciativas tenham tido pouca repercussão no Brasil. No exterior os eventos alcançam um grande sucesso e isso tem ajudado a projetar nossos produtos alimentícios no mercado externo.
Alimentares: A Boccato Editora lançou diversos livros no mercado e tornou-se referência em publicações culinárias / gastronômicas. Há algum próximo desafio para esse ano?
Boccato: O maior desafio é seguir mantendo qualidade e iniciar novas idéias. Em 2007 vamos ter o dobro de livros lançados em relação ao ano passado, sempre em conjunto com a Editora Gaia, nossa parceira de mercado editorial. Além disso, a Boccato está fincando os pés em território francês e logo teremos lá nosso escritório para lançar os livros brasileiros em edições internacionais.
Alimentares: Por quais caminhos os estudantes de gastronomia / culinária precisam percorrer para criarem identidade culinária no Brasil e exterior?
Boccato: É distinto falar de prática profissional e identidade culinária. Em outras palavras, trata-se da questão de repertorio cultural, coisa que se obtém com muito estudo e vivências e, sobretudo, estando à busca de entender a gastronomia como fenômeno social e talvez até filosófico. Vejam o exemplo dos chefs espanhóis, sempre à volta com encontros “do saber” em culinária e não necessariamente preocupados com a técnica, um pressuposto básico na profissão. A questão da identidade transcende a especialização e é uma busca constante e necessária para todos.
Alimentares: Como jornalista e chef, qual sua opinião sobre as atuais mídias gastronômicas impressas e eletrônicas?
Boccato: De uma forma geral a mídia acompanha o boom culinário que vivemos e isso é muito bom, pois espelha um real crescimento cultural da população. As pessoas estão cada vez mais preocupadas não apenas em desfrutar, mas em adquirir crescimento intelectual. Isso melhora a possibilidade de elas desfrutarem da imensa oferta de novos produtos, sensações, etc. A imprensa é uma grande parceira deste belo momento. Em especial sou um fã do caderno Paladar do Jornal O Estado de São Paulo.
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