por Andre Antivilo
Um filme plástico comestível, biodegradável e com propriedades antimicrobianas, desenvolvido na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), em São Paulo, poderá ser uma nova opção para a fabricação embalagens de alimentos..
Veja a notícia na íntegra.
Alimentares: Sua pesquisa demonstra um futuro tecnológico e ecológico fantástico no setor de alimentos. Quais são suas principais fontes de inspiração para esse trabalho?
Cynthia Ditchfield: A idéia original da pesquisa é da Dra. Pricila Veiga dos Santos formada pela Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp e que veio fazer o pós-doutoramento no Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Eu assumi o projeto em Janeiro de 2006. O Brasil é o segundo produtor mundial de mandioca e de sacarose, e ambos são empregados nesta embalagem. Dentre os aditivos testados o Brasil produz e exporta todos eles então esta embalagem poderia agregar valor a produtos nacionais. Além dos ganhos econômicos haveria também o ganho ambiental da embalagem biodegradável e comestível, reduzindo a quantidade de lixo gerada. Outro aspecto interessante seria a substituição de conservantes sintéticos, que são incorporados aos alimentos para aumentar a sua durabilidade, por compostos naturais que são mais seguros para o consumidor.
Alimentares: Para o consumidor final leigo, qual o grande benefício das embalagens ativas no dia-a-dia?
Ditchfield: As embalagens ativas têm propriedades que melhoram a qualidade dos produtos que eles consomem. Estas embalagens aumentam a segurança do produto para o consumidor.
Alimentares: De que formas restaurantes de pequeno e médio porte, assim como estabelecimentos similares, têm a ganhar com as descobertas da pesquisa?
Ditchfield: Tais estabelecimentos poderiam utilizar estas embalagens em seus produtos substituindo o plástico convencional e reduzindo o impacto ambiental associado ao uso de tais embalagens.
Alimentares: Apesar de o tema ser alimentos/alimentação, chefs e cozinheiros não participam diretamente no projeto. É possível formar uma parceria desse tipo?
Ditchfield: Talvez uma parceria deste tipo pudesse ser formada para a avaliação do efeito da embalagem nos produtos alimentícios.
Alimentares: Pela pesquisa você recebeu um grande prêmio de empresas mundiais. Com essa motivação, quais são seus próximos passos?
Ditchfield: A pesquisa deve ser continuada com os projetos da CAPES e da FAPESP que nos apóiam. Serão realizados testes para melhorar as propriedades das embalagens, testes de aplicação em produtos e para desenvolver o processo industrial que viabilize sua produção em escala industrial.
|