Pontos sobre a qualidade dos alimentos e preservação de variedades regionais
Os alimentos transgênicos ou organismos geneticamente modificados (OGM), são seres vivos criados em laboratório a partir de cruzamentos que não estão previstos naturalmente. Usando uma técnica que permite cortar genes de uma determinada espécie e colá-los em outra, os cientistas criam organismos totalmente novos com características específicas.
A utilização comercial de produtos transgênicos teve início em 1997 com três tipos: os transgênicos para resistir a um determinado agrotóxico; os transgênicos criados para terem propriedades inseticidas; e os transgênicos que combinam essas duas características.
Estes organismos modificados podem trazer más conseqüências à medida que se tornem ainda mais resistentes ao agrotóxico/inseticida e precisem receber doses mais cavalares desses produtos químicos, fazendo com que ocorra contaminação do solo e da água nas proximidades da lavoura. É um circulo vicioso envolvendo venenos para o meio-ambiente.
Estendendo o processo, teríamos alimentos em nossas mesas com cargas elevadíssimas de agrotóxicos, resultando em possível aumento de alergias, aumento da resistência a tratamentos com antibióticos e alterações de peso em fígados e rins, por exemplo.
É claro que não há estudos conclusivos sobre os efeitos dos transgênicos na alimentação humana e isso é, justamente, o motivo pelo qual devemos estar mais conscientes sobre o assunto.
Além disso, grande discussão parte do princípio que alimentos transgênicos com qualidades como produzir mais, ter mais nutrientes ou ainda para resistir a chuvas, secas e temperaturas extremas, que seriam as grandes características positivas desta interferência, não possuem confirmação após estes 10 anos da primeira plantação comercial.
Se por um lado, as plantas transgênicas são vistas como solução para muitos problemas contemporâneos como a fome e má nutrição, por outro, a difusão de plantas transgênicas também é entendida como uma ameaça à conservação e preservação de variedades regionais, ao controle de recursos genéticos e como tal ao equilíbrio do ecossistema e à segurança alimentar de milhões de pequenos produtores; uma ameaça, também, à qualidade alimentar dos consumidores afluentes.
É fato que todo consumo causa algum tipo de impacto, positivo ou negativo, porém cabe a nós buscar informações que nos permitam desenvolver atitudes responsáveis de maneira global*.
Este texto pretendeu apenas ser o início desta discussão, com foco principal na qualidade dos alimentos e preservação de variedades regionais, sabendo-se que o tema requer maior aprofundamento e análise dos fatos.
*Já existe obrigatoriedade, por lei desde 2004, que empresas fabricantes de alimentos informem a existência de transgênicos na composição de seus produtos.
*www.greenpeace.com.br
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