Enquanto o Oriente passava por grandes transformações e Maomé definia sérias restrições ao consumo de álcool, a Europa desenvolvia-se de maneira gradual. Inicialmente com o poderio de Grécia e Roma e depois das invasões bárbaras culminou o surgimento e estabelecimento dos Senhores Feudais e do Clero.
Os Trácios podem ser considerados importantíssimos na viagem da cerveja pela Europa. Seus domínios se estendiam por um vasto território onde hoje estão a própria Tracia, Bulgária, Romênia, Moldávia e partes da Grécia, Macedônia, Sérvia e grande parte da Turquia. Foram grandes influenciadores da cultura européia.
A cultura grega, por exemplo, tomou emprestado, dentre outros ícones, o deus Dioníso, tido pelos trácios como deus da agricultura e da cerveja, transforma-se na Grécia no deus do vinho e da festa, mais tarde é incorporado pelos romanos como Baco de onde se origina a palavra bacanal, que, por sua vez, eram festas regadas a muito vinho no império romano.
A cerveja era a principal bebida para as diversas tribos que formava o grande império Trácio e por isso eles desenvolveram técnicas e instrumentos para melhor produção deste líquido divino para eles. Acredita-se que os Bastarnae – uma dessas tribos Trácia – tenha se locomovido e se fixado em regiões de domínios Germânicos e Celtas.
O povo Germânico era formado também por tribos e dominavam territórios além das fronteiras romanas compreendendo hoje a Alemanha e sul da Escandinávia; regiões sabidamente, produtoras de cerveja de qualidade e que foram capazes de desenvolver estilos e técnicas de produção.
Os Celtas, por sua vez, são considerados grupos de povos que habitaram diversas regiões da Europa, dentre estes se pode destacar os Bretões, os Gauleses, os Escotos, os Belgas, os Trinovantes, os Batavos e os Caledônios, que fundaram ou participaram da formação de países (Inglaterra, Bélgica, Irlanda, Alemanha, Escócia – que até o advento do alambique tinha a cerveja como sua bebida principal) que são referências em termos de produção cervejeira.
Eram povos tidos como bárbaros (bárbaroi = estrangeiro) pelos Romanos que os tratavam assim devido ao fato de não compartilharem da mesma cultura. Um destes aspectos culturais era a produção e apreciação de cerveja diferente dos Romanos consumidores de vinho; outro dado relevante reside no fato destes povos serem, em grande parte, pilhadores, ação diametralmente oposta a atitude de seus desafetos, reconhecidamente dominadores-construtores.
Quando estes povos “bárbaros” invadem os domínios do império romano e passam a levar um certo terror a falsa paz alardeada por Roma, criam-se as condições perfeitas para o surgimento de estados controlados e protegidos por homens, idéias e fortalezas. Neste cenário habitam a Nobreza em seus Feudos e a Igreja em seus Monastérios dando proteção física e espiritual aos “outros” que temiam por suas vidas e almas, e “pagavam caro” por tal amparo, trabalhando de forma árdua e desumana.
E a cerveja passa a ser produzida em condições especiais, pois já não era a bebida mais importante, nem mesmo divinal... apesar de continuar divina!!!
Aprecie com Sabedoria!
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