Região Centro-Oeste: Locro
De acordo com o tratado de Tordesilhas, acordo que dividia o novo mundo entre Portugal e Espanha, a área que hoje compreende a região Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato grosso do sul e Goiás) não pertencia aos portugueses, eles por sinal não valorizavam muito a região e exploravam apenas a costa e o interior próximo do Brasil.
Somente no século XVIII os portugueses passam a se interessar pelo interior do Brasil. Esse desinteresse reflete diretamente nos hábitos alimentares do povo daquela região e por seguinte na evolução da Gastronomia regional.
Diferentemente das regiões costeiras, o Centro-Oeste sofre forte influência gastronômica do Argentina, Paraguai e Bolívia paises que fazem fronteiras com a região, porém o principal fator de influencia é o rio Paraguai que corta toda região pantaneira e serve de via de comunicação com essas áreas. Desses paises chegam diversos artigos que compõem a culinária pantaneira na região, como, a chipa, a saltenha, o pucheiro e o locro os últimos três certamente de origem espanhola. O pucheiro e o locro, dois guisados, um de origem argentina outro com origem paraguaia, possivelmente guardam um parentesco com o tradicional pucheiro espanhol em função do preparo, porém se diferenciam pelos ingredientes, possivelmente foi uma transformação gradativa durante a caminhada espanhola pela América em função da dificuldade de acesso aos ingredientes e adaptações ao paladar regional.
O locro é preparado à base de canjica de milho produto típico da América Central e partes do boi com osso e tutano, inicialmente era feito durante o carneamento (desossa) do boi e a parte mais utilizada era a região das vértebras do animal, região rica em osso e tutano pobre em carne considerado um produto secundário sem valor comercial na época, consumido como fortificante pelos peões, empreiteiros e trabalhadores das fazendas brasileiras e paraguaias. Como é forte hoje consome-se em dias de frio.
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Tabela Nutricional
| Ingrediente |
Quantidade |
Proteína (gr) |
Lipídios (gr) |
Colesterol (mg) |
Carboidrato (gr) |
Fibra alimentar (gr) |
| Carne c/ osso |
2 kg |
17 |
32 |
44 |
0 |
0 |
| Canjica de milho |
0,5 kg |
1 |
x |
0 |
87 |
0,7 |
| Sal |
0,005 kg |
3 |
tr |
0 |
2 |
0,6 |
| Molho de pimenta |
0,010 kg |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
| Óleo |
60 ml |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
| Cebola picada |
0,1 kg |
2 |
x |
0 |
9 |
2,2 |
| Alho picado |
0,01 kg |
7 |
x |
0 |
24 |
4,3 |
| Cheiro verde picado |
0,03 kg |
3 |
1 |
0 |
6 |
1,9 |
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| Quantidade por 100g de cada alimento. |
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CHO=Carboidratos PRO=Proteínas LIP=Lipídeos KCAL=Calorias
Tabela elaborada por Andréia Pitol, do Curso de Nutrição da Universidade Metodista de São Paulo. |