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GRUPO DE ESTUDOS MEUCADERNO METODISTA
   
ARROZ DE CARRETEIRO
 
Ficha técnica culinária:
Região: Sul
Autores: Gislene de Matos e Michele Carvalho
Porção: 4 pessoas
Restaurantes
Receita
Tabela nutricional
Tipos e classificação do arroz
Música Arroz Carreteiro
Bibliografia

 

MEUCADERNO METODISTA
:: MAIS RECEITAS ::

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 

 

ARROZ CARRETEIRO

O sul é uma região que foi povoada por gente de diferentes países. Inicialmente no Rio Grande do Sul, os primeiros habitantes eram os índios (gês ou tapuias, guaranis, pampianos). A partir de 1626, chegaram os padres jesuítas espanhóis (oeste do Estado) e os portugueses (litoral). Os primeiros imigrantes vieram da Alemanha em 1824 e a partir de 1875 começaram a chegar os imigrantes italianos.

Tudo isso contribuiu para que surgisse uma culinária própria e de sabores raros, diversificado e exclusivo. Por isso que quando pensamos na região sul, o leque de opções gastronômicas é muito rico. Dentro de todas as opções, há alguns pratos que se destacam mais, é o caso do arroz de carreteiro, que é considerado por muitos o segundo prato mais típico do sul, mais precisamente do Rio Grande do Sul, perdendo apenas para o também famoso churrasco gaúcho.

CARRETEIRO

O nome carreteiro foi herdado dos peões - mercadores ambulantes, que percorriam em carretas puxadas por bois pelos pampas no Rio Grande do Sul conduzindo cargas contendo o charque, que era uma das mercadorias. Também servia como alimento, por ser protéico e de fácil conservação, agüentava a longa viagem pela frente. Ao longo do caminho, eles paravam e comiam o charque juntamente com o arroz, ingrediente facilmente encontrado na região e fundamental para o preparo deste prato.

O arroz de carreteiro é uma receita prática, simples, saborosa e conveniente. Algumas pessoas relatam que fica mais gostoso com resto de churrasco, que seria a receita original, pois não conseguindo comer um boi inteiro, faziam churrasco da carne fresca, o que sobrava sem assar, era salgado para melhor conservação, e a sobra do churrasco, geralmente do almoço, era juntado ao arroz para o jantar.

É importante a escolha da carne ideal, pode ser charque de manta grossa, encapada com gordura, ou sobra de churrasco, os cortes de churrasco geralmente são maminha, filé ou alcatra, e deve-se retirar nervos se houver.

Uma das vantagens de se fazer com o resto do churrasco assado é o sabor que carne assada em churrasqueira dá ao arroz e geralmente é mais macio que o charque.

O CHARQUE

“O charque é sempre a carne-seca salgada vinda do sul, com muito mais sal que a do sertão, a carne-de-sol. Durando mais tempo,...” (História da Alimentação no Brasil – Luis da Câmara Cascudo). Não dava para vender carne fresca, pois a concentração de consumidores era distante, assim a carne estragaria até chegar ao destino, e também era inviável transportar o boi vivo, pois este perderia muito peso, então a melhor solução era a salga das carnes.

A carne salgada tornou-se muito importante para alimentação no Brasil, concentrando-se inicialmente no Ceará e no Rio Grande do Norte, porém a produção exclusiva de carnes-secas daquela região não durou muito devido a má qualidade do solo e violentas secas.

Em 1780, o cearense José Pinto Martins, levou a técnica de cortar a carne em tiras e secar ao sol, para o sul, onde instalou uma indústria de charque na margem direita do rio Pelotas, o que contribuiu e muito para a gastronomia da região e tornou-se durante muito tempo, o principal produto da economia local.A carne salgada já havia recebido o nome de carne-de-sol, carne-de-vento, carne-do-sertão, jabá e lá no sul passou a receber um nome diferente, de origem quíchua xarqui, idioma falado pelos índios que habitavam os Andes: charque.

Mas, há diferença entre a carne-de-sol e o charque. A carne-de-sol, é resultado do cozimento incompleto da carne de boi, pela exposição ao sol, depois de temperada. Charque, tem um tempo de conservação muito superior à carne-de-sol, a carne de boi é cortada e depois sofre um cozimento químico por imersão em salmoura, e é colocada para secar em varais, ela recebe mais sal e tem secagem mais intensa ao sol e vento, chega a durar mais de um ano sem estragar.

No Nordeste, a carne-de-sol, já não é produzida como antigamente, “..., salgada e depois estendida em varais durante uma noite...Durante o dia é recolhida nos freezers,...é também no freezer que fica conservada de maneira surpreendente contemporânea...” (Viagem Gastronômica através do Brasil – Caloca Fernandes) já no Sul foi preservada a tradição, a carne salgada é estendida durante vários dias ao sol.

O charque pode ser do tipo frescal também chamado de fresco ou verde, ou o seco, que é o mais encontrado. O frescal é mais fácil na hora de dessalgar, pois em geral basta só uma fervura antes do preparo.O frescal tem aparência mais encarnada e sanguínea e o seco geralmente é mais escuro.
“O charque, em geral, é tirado da costela, é vendido nos mercados em atraentes mantas enroladas” (Viagem Gastronômica através do Brasil – Caloca Fernades).

O ARROZ

Cultivado há mais de 7000 anos pelos asiáticos, conquistou o mundo, e é amplamente empregado na alimentação, cerca de 2/3 da população mundial utiliza o arroz. No Brasil era conhecido como abati-uaupé ou abatiapê, que em tupi significa milho d’água, da espécie Oryza subulata ou caudata, ou da Zizania aquática.

O arroz foi plantado no Brasil pelos portugueses, mas só foi consumido com intensidade a partir do século XVIII. Foi considerado o segundo alimento mais consumido na cozinha brasileira. Para se obter o arroz branco, é preciso ocorrer o beneficiamento (descascamento), que é a principal forma de consumo do arroz. Mas o beneficiamento só foi possível a partir da chegada da Família Real, em 1808.

A região sul representa hoje a maior produção nacional, mas foi a partir do século XIX que o arroz se expandiu, onde atingiu uma produção em grande escala, com destaque para o Rio Grande do Sul, que é privilegiado pelo clima subtropical que favorece o plantio do arroz. O arroz também serve de matéria-prima para cereais matinais, saquê e cerveja.

Veja os tipos e a classificação.

 

RECEITA - INGREDIENTES

  • 1 Kg de charque
  • 4 colheres sopa de óleo
  • 2 cebolas picadas
  • 2 dentes de alho amassados
  • 2 xícaras de arroz sem ser lavado
  • 3 colheres de salsa picada
 

MODO DE PREPARO

 
  1. Um dia antes, lave bem a carne em água corrente, corte em cubinhos, cubra com água e deixe de molho até o dia seguinte, trocando a água umas três ou quatro vezes, no mínimo;
  2. Jogue fora a água e aqueça uma panela e aqueça o óleo, frite a cebola e o alho, mexendo sempre;
  3. Quando a cebola dourar levemente, sem queimar, acrescente a carne, e mexa até a carne dourar e fritar;
  4. Junte o arroz e frite nesse refogado mexendo sempre para não pegar no fundo da panela;
  5. Cubra com água fervente até três dedos acima do nível do arroz e misture bem;
  6. Ajuste os temperos, para de mexer, reduza o fogo e deixe cozinhar com a panela tampada até o arroz ficar macio;
  7. Se no final do cozimento o arroz ficar seco, junte mais água fervente, desligue o fogo, tampe a panela e deixe terminar de cozinhar no próprio vapor;
  8. O Carreteiro deve ser apreciado bem molhadinho;
  9. Acrescente salsa picada e sirva na própria panela.
 

 
Tabela Nutricional
 
ALIMENTO
KCAL
CHO
PRO
LIP
Óleo de soja ( 60 ml)
530,4
0,0
0,0
60,0
Charque (1kg)
4.410,0
-
420,0
290,0
Cebola (200g)
76,0
17,28
2,34
0,32
Arroz cozido (900g)
1.122,3
229,2
20,7
10,62
Alho (20g)
29,8
6,6
1,3
0,1
Salsa (30g)
10,8
1,9
0,8
0,2
TOTAL
6.179,3
254,98
445,14
361,24

Tabela elaborada por Andréia Pitol, do Curso de Nutrição da Universidade Metodista de São Paulo.

 

 
RESTAURANTES
 

Fogo de chão – Moema
Endereço:Avenida Moreira Guimarães, 964 - Moema - 5056-1795

Fazenda da Comadre
Endereço: Rodovia dos Tamoios, km 43. Tel. (0xx12) 3974-0510

 

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