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POEMAS DA GASTRONOMIA BRASILEIRA


“ A revolução afinal foi completa: a aguardente de cana substituiu o vinho;a farinha de mandioca sucedeu a broa; a carne seca e o feijão preto ao bacalhau com batatas e cebolas cozidas; a pimenta-malagueta e a pimenta-de-cheiro invadiram vitoriosamente a sua mesa; o caldo verde, a açorda e o caldo de unto foram repelidos pelos ruivos e gostosos quitutes baianos, pela moqueca, pelo vatapá e caruru... ”

O cortiço, de Aluísio de Azevedo.

“Só com muito tucunaré, pirarucu e tambaqui enxaguado em caxiri, piqui e mangaba é que os vivos tomam sustância para rezar...”

Quarup, de Antonio Callado.

“Se compro na feira feijão,  rapadura.
Prá que trabalhar?
Eu gosto do rancho.
E o homem não deve se amofinar...”
De papo pro ar, de Joubert de Carvalho.

“Ai, grande jantar mineiro

que seria esse...
Comíamos e comer abria fome,
E comida era pretexto....”

“Nunca desdenhe o tutu.
Vá lá mais um torresminho.
E quanto ao peru?
Farofa há de ser acompanhada de uma boa cachaçinha, não desfazendo em cerveja, essa grande camarada...”

“ Comer guarda tamanha importância que só o prato revele o melhor, os mais humanos dos seres em sua treva?
Beber é pois tão sagrado que só bebido meu mano me desata seu queixume, abrindo-me sua palma?”

A mesa, de Carlos Drummond de Andrade.

 

“E vamos botar água no feijão
Mulher
Não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar
Ponha os pratos no chão, e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tiragosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão...”

Feijoada completa, de Chico Buarque.

 

“Um pega lá no toma-lá-dá-cá, do samba
Um caldo de feijão, um vatapá, e coração
Boca de siri, um namorado e um mexilhão
Água de benzê, linha de passe e chimarrão
Babaluaê, rabo de arraia e confusão...”

Linha de passe, de João Bosco.

“Rolou boato que a comida é mineira
Vai ter bife de panela com polenta e aipim
Quero provar o jiló e a berinjela
Tô sem pressa, sou assim...”

A comida da Filó, de Martinho da Vila.

“Quem quiser vatapá, ô
Que procure fazer
Primeiro o fubá
Depois o dendê
Procure uma nêga baiana, ôQue saiba mexerBota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Amendoim, camarão, rala um coco
Sal com gengibre e cebola, iaiá
Na hora de temperarNão para de mexer, ô...”

Vatapá, de Gal Costa.

Só quem provou é que sabe
Como é gostoso o tempero de Dona Iaiá
Tempero que só pelo cheiro faz alucinar
Molhado no seu refogado e no seu paladar
Dá água na boca só de a gente lembrar...” O tempero de Iaiá, de Nei Lopes.

 

“Meia xícara de chá de azeite
Duzentas gramas de lingüiça calabresa
Uma cebola picadinha
E um pouco de salsinha
Quatro tomates batidos no liquidificador
Dois pimentões vermelhos
Duas colheres de sopa de massa de tomate
Um tablete de caldo de carne em banho-maria...”

Macarrão com lingüiça e pimentão , de Rita Lee.

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